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Ações na agricultura do DF minimizaram perda hídrica na Bacia do Descoberto
13/01/2018

Adequações de procedimentos e mudança de hábitos na área rural foram determinantes para que Brasília passasse pelo período de seca com abastecimento de água

As medidas para uso consciente da água na atividade agrícola foram fundamentais para evitar um colapso no abastecimento do Distrito Federal em 2017. Por meio de recuperação de canais, substituição de sistemas de irrigação e revestimento de tanques de armazenamento, entre outras ações, o volume do reservatório do Descoberto resistiu ao período de seca.
 
 
A Barragem do Descoberto com nível em 37,7% em 12 de janeiro. Foto: Dênio Simões/Agência Brasília
 
À época da divulgação do plano de enfrentamento da crise hídrica na área rural, em 23 de janeiro, o cenário era de três anos de chuva abaixo da média histórica, somados à forte estiagem entre a segunda quinzena de dezembro de 2016 e a primeira quinzena de janeiro de 2017.
 
Com menos precipitação, a infiltração de água no solo também ficou prejudicada. Isso fez com que os lençóis freáticos do DF ficassem três metros abaixo do esperado — redução que prejudicou a recarga dos principais rios e córregos que abastecem a bacia do Descoberto.
 
Assim, teve de ser imediata a resposta à redução progressiva das duas principais barragens do DF, como destaca o presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), Roberto Carneiro. “A crise tem sido importante para todos nós, população e governo, aprendermos a nos planejar para o futuro.”
 
De acordo com Carneiro, um ponto bastante reforçado, nesse período, foi a conservação ambiental por parte dos produtores rurais. “A agricultura tem papel fundamental no equilíbrio dos espaços rural e urbano. É ela que mantém a destinação da área, evita o parcelamento irregular do solo e permite a infiltração de água nos lençóis.”
 
Prioridades para o uso da água na crise hídrica
Desde o agravamento da crise hídrica, a prioridade tem sido o abastecimento humano e a dessedentação — ato de saciar a sede — dos animais, conforme previsto na Resolução nº 13, de 15 de agosto de 2016, da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa).
 
Para a agricultura, ficaram definidos três eixos de atuação conjunta dos órgãos do Executivo:
 
Diminuição da retirada de água nos córregos e ribeirões que abastecem o Descoberto
Redução do desperdício hídrico na agricultura
Aumento da produção de água, principalmente na Bacia do Descoberto
As medidas adotadas permitiram que os principais afluentes do Reservatório do Descoberto apresentassem melhora na vazão média mensal de 2017 em relação à de 2016, como indicam dados da Adasa. 
 
Vazão média mensal
Afluentes do reservatório do Descoberto Dezembro de 2016 Dezembro de 2017
Descoberto 0,877 m³/ segundo 1,746 m³/ segundo
Capão Comprido 0,162 m³/ segundo 0,114 m³/ segundo
Chapadinha 0,213 m³/ segundo 0,326 m³/ segundo
Olaria 0,082 m³/ segundo 0,118 m³/ segundo
Ribeirão das Pedras 0,948 m³/ segundo 1,362 m³/ segundo
Rodeador 0,874 m³/ segundo 1,25 m³/ segundo
O monitoramento da situação é contínuo, com reuniões semanais entre Adasa, Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e Emater-DF.
 
Diminuição da retirada de água nos afluentes do Descoberto
Um dos efeitos da redução em 75% da captação de água por parte dos produtores rurais, estabelecida pela Resolução Conjunta nº 1, de 8 de março de 2017, foi a diminuição de 30% da área plantada na Bacia do Descoberto, de acordo com a Emater-DF. A região é grande produtora de hortaliças e frutas.
 
A diminuição na retirada de água pelos irrigantes tem o objetivo de aumentar a vazão afluente, ou seja, a quantidade de água que chega ao Descoberto.
 
Por causa da restrição hídrica, as perdas, somente na região da Bacia do Descoberto, foram de R$ 70 milhões em 2017. A escassez de água resultou em impacto financeiro de R$ 600 milhões em DF, de acordo com a Emater.
 
A avaliação do titular da pasta da Agricultura, Argileu Martins, é a de que, ainda que as iniciativas tenham sido difíceis, não seria possível enfrentar o problema de outra maneira. “Foi um trabalho muito técnico. As medidas foram eficazes porque reduziram o impacto que uma crise hídrica produz em qualquer ambiente”, analisa.
Fonte: MARYNA LACERDA, DA AGÊNCIA BRASÍLIA
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